terça-feira, 31 de março de 2026

Inédito: Prefeitura de Igarassu lança Fabrica de Influenciadores

A capacitação gratuita é voltada para quem trabalha no mercado digital ou vai entrar nesse segmento


A prefeitura de Igarassu realizou na noite desta segunda-feira (30), a abertura da imersão “Fábrica de Influenciadores”, iniciativa promovida através da Secretaria de Comunicação e Imprensa.

O curso, totalmente gratuito, tem como objetivo capacitar os interessados em ingressar na produção de conteúdo para redes sociais. A ação foi idealizada pelo secretário de Governo César Ramos, com foco na formação de novos talentos no ambiente digital.

O primeiro dia do evento reuniu os participantes em um momento de troca de experiências com influenciadores locais. A programação segue com uma imersão marcada para o dia 12 de abril, no Centro Mariápolis Santa Maria, com painéis, desafios e oficinas sobre temas como Storytelling e Oratória, Redação para Redes Sociais e Edição de Vídeos pelo celular.

Além da participação dos inscritos, a abertura contou com a presença da prefeita professora Elcione Ramos, do secretário de Governo César Ramos e vereadores. 


Para a prefeita professora Elcione Ramos, a iniciativa representa uma oportunidade para que os igarassuenses ampliem sua presença no ambiente digital. “Para vencer, precisamos nos posicionar e mostrar quem somos de verdade. Tenho muito orgulho dessa iniciativa, que foi pensada com carinho para abrir portas e criar oportunidades. Eu acredito na força de cada um”, destacou.

O secretário de Governo César Ramos também enfatizou a importância da comunicação no cenário atual. “Ninguém supera a força da comunicação. No fim das contas, é sobre dar o primeiro passo e entender que crescer na internet também é uma decisão”, afirmou.

Durante o evento, o secretário de Comunicação Alex Moriá, esclareceu por que a iniciativa foi criada. “A ideia é conseguir integrar e possibilitar que jovens e adultos que têm interesse em entrar no mercado digital possam ter um encontro profissional”. 

A imersão contará com a participação de profissionais atuantes no mercado digital, entre eles influenciadores, jornalistas, estrategistas de marketing, especialistas em inteligência artificial, social media e comunicadores.

Além do conteúdo formativo, os participantes inscritos e presentes no evento ainda terão a oportunidade de concorrer ao sorteio de um iPhone 17 Pro Max.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Machados ganha evidência nacional com avanços e premiações na educação pública

Mesmo com limitações financeiras, município do Agreste pernambucano conquista selo ouro, acumula prêmios e ganha visibilidade no cenário educacional brasileiro


Localizado no Agreste Setentrional de Pernambuco, no Vale do Capibaribe, a cerca de 105 quilômetros do Recife, o município de Machados passou a ocupar espaço de evidência no cenário educacional. Em meio a desafios comuns às cidades de pequeno porte, a rede municipal vem acumulando resultados que chamam atenção dentro e fora do estado.

Nos últimos meses, o município conquistou premiações importantes, avançou na alfabetização e alcançou o selo ouro, consolidando um desempenho acima da média para sua realidade.

Planejamento e gestão como base dos resultados


Segundo a professora Maria Rodrigues Fernandes, os avanços não são fruto de ações isoladas, mas de uma estratégia construída com organização e continuidade.

“É um trabalho sério, é nosso diferencial. A gente acredita no que  faz,  no potencial dos nossos alunos”, afirmou.

O modelo adotado prioriza o alinhamento entre gestores e professores, garantindo que todas as escolas sigam a mesma linha de atuação, tanto na zona urbana quanto na rural.

“A gente trabalha em equipe, onde o gestor acredita no que faz e tem a mesma linha com os professores”, destacou.


Mesmo com orçamento limitado, o município aposta em planejamento como ferramenta central para avançar.

“Mesmo com poucos recursos, a gente planeja prioridades e distribui para alcançar resultados”, explicou.

Acompanhamento e investimento fazem diferença


Outro ponto considerado decisivo é o acompanhamento constante das ações pedagógicas. A gestão aposta no monitoramento como forma de garantir que o planejamento saia do papel.

“Não basta planejar, temos que monitorar, acompanhar e intervir para que a aprendizagem aconteça”, disse.

Além disso, a rede investe na formação dos profissionais e na oferta de materiais didáticos, buscando dar condições para que o trabalho em sala de aula seja efetivo.

Cultura local vira ferramenta de ensino


Um dos diferenciais da rede de Machados está na forma como o conteúdo é trabalhado. A educação vai além da sala de aula e se conecta com a realidade dos estudantes.

Projetos pedagógicos envolvem artistas, trabalhadores e elementos da cultura local, transformando o aprendizado em algo mais próximo do cotidiano dos alunos.

“A gente leva para a rua o que trabalha na sala de aula, valorizando artistas e a cultura local”, destacou.

Resultados ultrapassam os limites do município

Os avanços já começam a refletir fora da cidade. Professores da rede têm sido reconhecidos em outros municípios e o trabalho desenvolvido em Machados passa a ser visto como referência.

“O professor de Machados já é visto como diferenciado quando chega em outros municípios”, relatou.

A evolução também aparece nos indicadores de alfabetização. O município saiu do selo prata para o selo ouro, reforçando o avanço nas etapas iniciais do ensino.

Apesar dos resultados, a gestão reforça que o desempenho é fruto de um esforço coletivo.

“Não é um trabalho feito só por uma mão, mas por várias mãos”, pontuou.

Memes Políticos no Brasil: Riscos e Impactos na Democracia

Por Brenno Ribas

Os memes, que durante muito tempo foram vistos apenas como expressões de humor típicas da cultura digital, assumiram no Brasil contemporâneo um papel muito mais complexo e estratégico no campo político. Aquilo que antes era apenas uma imagem engraçada compartilhada entre amigos passou a funcionar como um mecanismo sofisticado de comunicação, capaz de influenciar percepções, moldar narrativas e, em muitos casos, disseminar desinformação de forma silenciosa e eficaz. Em um ambiente marcado pela velocidade da informação e pela predominância das redes sociais, o meme se consolidou como uma das principais linguagens do debate público.

A própria origem do conceito ajuda a compreender sua força. O termo foi popularizado por Richard Dawkins, que o definiu como uma unidade de transmissão cultural, algo que se replica, se adapta e evolui ao longo do tempo. No ambiente digital, essa lógica se intensifica: memes são construídos para serem simples, facilmente compreensíveis e altamente compartilháveis. Essa combinação faz com que eles tenham uma capacidade de difusão muito superior à de textos longos ou análises complexas, o que os torna particularmente eficazes em contextos políticos, onde a disputa por atenção é constante.

No Brasil, especialmente a partir da última década, os memes passaram a ocupar um espaço central nas disputas eleitorais e na formação da opinião pública. Figuras políticas como Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro tornaram-se personagens recorrentes desse universo simbólico, sendo constantemente retratados, reinterpretados e, muitas vezes, reduzidos a caricaturas que circulam amplamente nas redes sociais. Esse processo não ocorre de maneira neutra. Ao contrário, ele frequentemente carrega intencionalidades claras, seja para fortalecer a imagem de determinado líder, seja para deslegitimar adversários por meio da ridicularização.

Há, contudo, um aspecto positivo que não pode ser ignorado. Os memes contribuem para a democratização do discurso político ao tornar temas complexos mais acessíveis a um público amplo. Pessoas que, em outros contextos, poderiam se sentir afastadas do debate político passam a interagir com essas questões por meio de uma linguagem mais leve e familiar. Nesse sentido, o meme funciona como uma porta de entrada para a participação cívica, permitindo que diferentes grupos sociais se expressem, critiquem e se posicionem.

O problema surge quando essa simplificação ultrapassa o limite da síntese e se transforma em distorção. A lógica do meme favorece mensagens rápidas e emocionalmente impactantes, mas nem sempre comprometidas com a veracidade. Ao misturar humor com conteúdo falso ou descontextualizado, cria-se um cenário em que a desinformação se espalha com facilidade, muitas vezes sem ser percebida como tal. Isso é particularmente grave em períodos eleitorais, quando a circulação de informações incorretas pode influenciar decisões políticas e comprometer a integridade do processo democrático.

Além disso, a natureza descentralizada das redes sociais dificulta a identificação da origem desses conteúdos. Diferentemente da propaganda tradicional, que possui autoria definida e regras claras, os memes circulam de forma difusa, sendo compartilhados em grupos privados, aplicativos de mensagens e plataformas digitais onde o controle é limitado. Essa característica amplia seu potencial de impacto e, ao mesmo tempo, torna mais complexa qualquer tentativa de regulação.

No ordenamento jurídico brasileiro, a liberdade de expressão é assegurada pela Constituição Federal de 1988, mas não se trata de um direito absoluto. Normas como o Marco Civil da Internet e a Lei das Eleições estabelecem parâmetros para o uso responsável da internet e da propaganda política, enquanto o Tribunal Superior Eleitoral atua na fiscalização e na repressão de práticas que possam comprometer a lisura do processo eleitoral. Dependendo do conteúdo, a produção ou o compartilhamento de memes pode gerar consequências jurídicas, especialmente quando envolve ofensas à honra, divulgação de notícias falsas ou propaganda irregular.

Diante desse cenário, torna-se evidente que o impacto dos memes na política brasileira não pode ser analisado de forma simplista. Eles não são apenas instrumentos de entretenimento, nem exclusivamente ferramentas de manipulação. Na verdade, operam em uma zona híbrida, onde convivem potencial emancipador e risco democrático. Ao mesmo tempo em que ampliam a participação e dão voz a diferentes segmentos da sociedade, também podem fragilizar o debate público ao privilegiar a emoção em detrimento da informação qualificada.

Em última análise, o desafio não está em combater os memes, mas em desenvolver uma cultura crítica capaz de compreender seu funcionamento e seus efeitos. Isso exige não apenas medidas institucionais, mas também uma postura mais consciente por parte dos usuários, que precisam reconhecer que, por trás de uma imagem aparentemente inofensiva, pode haver uma estratégia deliberada de persuasão. No ambiente digital contemporâneo, compartilhar deixou de ser um ato neutro e passou a ser, também, uma forma de participação política.

Brenno Ribas é docente do UniFavip Wyden e advogado eleitoral